Entrevista com Irena Figerova

Muito mais do que uma ex atleta, Irena Figerova Hunka fez parte da história do voleibol e presenciou na pele toda sua evolução, profissionalização e popularização. Ex jogadora de voleibol, que teve o prazer de fazer parte da seleção brasileira da década de 70, conta em detalhes para a produtora do documentário sobre vôlei, "A Era do Peixinho", Bruna Bittencourt, momentos marcantes de sua história e também da história que todos, atualmente, admiramos: a história do voleibol brasileiro.

Foto: Acervo pessoal de Irena Figerova

  • Qual a importância do trabalho feito dentro das seleções de base?

É uma coisa bem interessante! Eu acho que um trabalho de base bem feito faz com que já seja colocado nas crianças, nos atletas mais jovens essa seriedade. Mas, também existe um outro lado que é nunca deixar o pessoal mais jovem esquecer que tem que estudar. Então, esse pessoal da base sempre tem como espelho o pessoal do adulto, mas nem são todos que vão chegar naquele lugar. Enfim, eu acho importantíssimo o trabalho de base, ele dá a sustentação pro atleta crescer. E nisso eu acho que a Irma Barreto faz um trabalho muito bonito. Eu acompanhei um pouco do trabalho que ela fazia na base e via a cobrança que ela tinha (tanto no jogo quanto no estudo). E lógico, se não for bem trabalhado desde a base, você não consegue manter a qualidade.

  • Você acredita que o Centro de Desenvolvimento do Voleibol - Saquarema, ajuda os atletas, tanto de base quanto o adulto?

Ah, eu acho que é muito positivo sim. Você pensa: “Poxa, eu sou fã do Serginho.” E aí, você vê ele do seu lado, treinando e você se espelha nele, quer chegar naquele nível. Então, eu acho até que é mais legal pro pessoal que está começando, que leva isso como um incentivo. E a troca de experiência é muito grande. É que o Serginho é fora de série, mas a grande maioria dos atletas também gosta de ter esse reconhecimento, ver que são consagrados e serem usados como exemplo pro atleta mais jovem e dá aquela vontade de se manter naquele patamar, naquela qualidade.

  • Se formos pensar no público, o famoso jogo no Maracanã bateu um recorde que ninguém esperava. Na sua opinião, o que ocasionou esse aumento de público no voleibol – a mídia ou a boa gestão da CBV?

Com certeza as duas coisas. Não tenha dúvida. Alias, você falando de ginásio cheio... Eu lembro que a gente jogava pra pai, mãe e irmão. E eu lembro que nos anos 70, era comum vir uma equipe, normalmente japonesa, que eram as tops naquela época no voleibol feminino. E elas vinham, formavam uma seleção paulista e a gente ia jogar no Ibirapuera. O Ibirapuera ficava lotado! E isso era todo ano... E era assim: A gente ia, jogava e perdia rapidinho. Era 3x0 rapidinho! E como o jogo acaba muito rápido, as japonesas faziam uma demonstração de jogo entre elas. Então, pegava equipe titular de um lado, equipe reserva do outro e ficava jogando e demonstrando. Mas dessa vez tinha uma jogadora reserva delas contundida e o técnico me chamou pra substituir e ficar atacando de ponta. Eu tinha 16-17 anos, estava no auge na minha forma física. Porque o time reserva não girava nessa demonstração. Nossa! O Ibirapuera veio abaixo! Foi muito louco. Uma sensação fantástica!

  • Hoje se olharmos em cenário mundial, muitas equipes estão equilibradas, em qualidade.

Exatamente. A cobrança é alta e hoje em dia a diferença é muito pequena. Então, um errinho pode comprometer um trabalho de anos. Ou até como estamos falando aqui, de décadas, de uma equipe que está no topo há 20 anos ou mais. Até por conta de você querer se superar, é mais difícil você se manter. Porque está todo mundo querendo superar quem está no topo.


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